Quarto domingo após a Páscoa

Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo

Meus caros irmãos,

O evangelho de hoje comporta uma frase surpreendente : “Quando vier o Espírito da Verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total”. Como se Jesus, que é a verdade mesma, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, não nos tinha dado a verdade toda inteira. De fato, Jesus nos deu tudo, o Espírito Santo não vem fazer uma nova revelação, mas Jesus nos anuncia sua obra : “Ele glorificar-Me-á porque há-de receber do que é Meu , para vo-lo anunciar”. O Espírito Santo deve então perseguir a obra de Jesus Cristo ao meio de seus apóstolos. Os apóstolos passaram três anos escutando os ensinamentos de Jesus mas foi preciso receber o Espírito Santo para que os olhos deles se abrissem. E portanto, o Espírito Santo é às vezes aquele sem consideração de nossa piedade, de nossa devoção tradicional. Os pentecostais nos tornaram duvidosos a respeito d’Ele e pudemos às vezes reservar a ação do Santo Espírito à vida mística. Para mim, que me contento com uma vida cristã normal, básica, basta seguir a moral cristã, talvez um dia, quem sabe, eu serei um grande místico e aí, eu me interrogarei sobre o papel do Espírito Santo. É um erro querer reservar o Paráclito aos campeões de Jesus Cristo ou às pessoas crismadas apenas. Nós recebemos todos os setes dons do Santo Espírito desde nosso batismo, é um erro propagado de crer que recebemo-lhes unicamente na crisma. Não, desde nosso batismo, nós vivemos a lei nova proclamada por Jesus Cristo.

A lei nova é a graça do Espírito Santo recebida pela fé no Cristo operando pela caridade. O Espírito Santo foi enviado, vemo-lo em obra no mistério da anunciação “O Espírito Santo estenderá sobre ti a Sua sombra”. Após sua ressurreição, Jesus inspirará a seus apóstolos, e o Espírito Santo continua a agir sobre a Igreja depois do Pentecostes. Os carismas que receberam os primeiros cristãos fez resplandecer a Igreja de graças extraordinárias, e eles não irão nunca mais cessar ao longo da história da Igreja. Os poderes de certos santos de operar milagres são os carismas. Não se deve, sob pretexto que se desconfia de pentecotismo, os relegar no passado da Igreja primitiva e decretar que eles não existem mais. Enfim, o Santo Espírito age perto de cada fiel, na obra da santificação sob a impulsão da caridade. Incontestavelmente, a vida cristã é ao mesmo tempo “uma vida em Cristo” e “uma vida segundo o espirito” para retomar as expressões do apóstolo não se pode separar o Espírito Santo da pessoa de Jesus, sua missão é de nos fazer viver em Cristo. É preciso então conhecer bem o papel do Paraclito para não se deixar levar por não importa qual ânimo que agita os homens : ele é o espírito do Cristo, ele é o espírito do Pai, é sua origem, Ele é o espirito da Igreja. 

Ele é o espírito do Cristo. São João nos indica o primeiro critério e a principal ação do Santo Espírito : “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus… Nisto conhecereis o espírito de Deus : todo o espírito que confessa a Jesus Cristo incarnado é de Deus (1 Jn 4, 1-2). É o Espírito que nos inspira hoje, como no tempo dos apóstolos, à fé em Jesus, a fé em sua divindade, assim que professamos no Credo, contamos sob a impulsão do Espírito Santo. Lembrai-vos mais tarde, quando fareis a genuflexão dizendo “et homo factus est”, vós dobrareis o joelho sob a moção do espírito. A graça penetra até o nosso corpo, nas nossas ações e nossas palavras : “Ninguém pode dizer : Jesus é Senhor, senão por influência do Espírito Santo”. O espírito planta em nós a fé como a raiz que procede a seiva da Graça, e ele nos implanta como galhos novos na vinha que é o Senhor : “Recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas” nos diz São Tiago hoje. Concretamente, o espírito nos ensinou a humildade simples e a obediência amante da fé, ele nos conduz a crer as verdades de nosso catecismo, ele nos leva à imitação de Jesus Cristo. Somente o espírito pode nos fazer aceitar o sofrimento como uma marca do amor de Deus, somente ele pode nos fazer amar a cruz, porque ele é o espírito de Jesus que tanto desejou essa hora, sua hora.

Ele é o espírito do Pai. O segundo critério do Espírito Santo, o sinal de sua presença é a revelação do Pai, especialmente na prece : “Recebestes um espírito de adoção, pelo qual chamamos Abba ! Pai ! O próprio espírito atesta em união com o nosso espírito que somos filhos de Deus ; filhos e igualmente herdeiros” (Rm 8, 15-17) “É o próprio espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). Não podemos recitar favoravelmente o Nosso Pai sem a graça do Paracleto que nos revela a grandeza desse título de filho de Deus. O Espírito Santo nos une neste momento à prece do filho diante de seu Pai. O Santo Espírito está ali, presente no meio de nós no curso da celebração da Santa Missa. Nessas orações a Igreja suplica ao Pai pelo Cristo no Espírito. Essa fórmula não está lá para fazer bem ou para evitar de não esquecer ninguém. Ela é conforme a realidade espiritual que é a vida da graça. O Santo Espírito nos dá então o gosto da prece, o desejo de nos dirigir a Nosso Pai como filhos bem amados, a vontade de rezar sem parar.

Ele é o espírito da Igreja. Ele edifica a Igreja como o corpo místico do Cristo, ele é a garantia de sua unidade na caridade. Ele mantém sua unidade toda ao longo de sua historia guardando o deposito da fé, acordando ao Santo Pai o carisma de infalibilidade pontifical (um carisma que dura desde a origem). Sua ação se reconhece porque ela se situa na Igreja e visa o seu crescimento, o seu ornamento em santidade. O zelo construtivo e desinteressado é uma marca da ação do Santo Espírito. Concretamente o espírito nos inspira um amor à Igreja e nos incita a nos dedicar ao seu serviço, ele inspira na nossa vida de prece um verdadeiro amor à Igreja, uma real vontade de cooperar numa obra que nos ultrapassa, que transpõe o circulo restrito de nossa família ou de nossos amigos para a Igreja inteira. Vê-se então que a ação do espírito é por vezes muito íntima , muito pessoal pela fé que nos une a Jesus, e nos impulsiona a rezar a nosso pai em segredo mas, também em nos mergulhando no Cristo, ele nos introduz na comunhão dos santos como membro vivo de Jesus Cristo.

É preciso para nós então saber discernir a presença do Espírito Santo, conhecer o espírito que nos motiva : será o bom espírito que me leva a fazer isso ou ao contrário, o diabo ? Não procuraria ele nos confundir para nos separar de Deus ? Se o demônio se disfarça em anjo de luz, sua presença provoca a confusão, a discórdia, o ódio e dissensões. Os frutos do espírito são outros, em sua epístola aos Gálatas, no capítulo cinco, São Paulo os enumera, vós podereis vos reportar se o desejarem. Retenho que um : a paz. O Santo Espírito vem trazer a paz nas nossas almas, quando nós seguimos a lei de Deus, quando nós conservamos a divina presença no fundo de nosso coração nós vivemos em paz com Deus, nós vivemos desse acordo entre as chamadas de Deus e nossa resposta preenchida de caridade.

 

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Padre Roch Perrel
Instituto do Bom Pastor
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