Terceiro domingo após a Páscoa.
Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo.
Meus Caros Irmãos,
A igreja nos ordenando ir todos os domingos à missa e alguns vindo mesmo todos os dias, eu gostaria hoje discorrer convosco da assistência à missa, daquilo que o papa santo Pio X chamou a participação ativa dos fiéis. Se poderia dizer que os fiéis celebram com o padre, é equívoco porque o sacerdócio ministerial do padre é diferente do sacerdócio comum dos fiéis. Outra coisa é de ter recebido o poder de oferecer a oferenda ao altar in persona Christi, outra coisa é de se unir a essa oferenda, de dedicar um sacrifício espiritual. Mas ele indica bem que os fiéis não devem ficar passivos à missa e que eles podem, mesmo se eles não comungam, participar à oferenda do sacrifício. Se a comunhão é a melhor maneira de se unir à divina vitima, ela não é a única. E nós não devemos chegar a missa dizendo : hoje eu não vou comungar, eu vou me contentar de fazer o ato da presença para preencher o preceito mas nada mais. Isso seria um grande erro e não ter nada entendido da missa.
Primeiro o que é a missa? Se vós tiverdes tido um bom catecismo, vós tereis já a resposta em mente: a missa é o renovamento não sangrento do sacrifício do calvário. Nós vemos aí que a missa renova a prece de Jesus ao calvário, porque a morte de Jesus sobre a cruz é uma prece, a missa é então a prece de Jesus a prece mais sublime, e é então a essa prece que nós viemos nos unir, nós viemos pregar em seu nome, e Jesus nos prometeu: “Em verdade, em verdade, vos digo, o que pedirdes ao Pai em meu nome êle vo-lo dará.” (Jn 1621). É uma promessa de Jesus, tudo aquilo que pedimos ao Pai em seu nome, ele nos dará. E vós temereis que Jesus nos fez uma promessa no ar, uma promessa que ele não pode cumprir ? Indubitavelmente não, nós devemos nos aproximar do altar pleno de confiança no poder de intercessão do filho. E se então a missa é uma prece, ela preenche eminentemente os quatro fins da prece que são : a adoração, a ação de graça, a impetração e a propiciação. Isso significa que quando assistimos a missa, nós devemos ter ao fundo de nossa alma, ao fundo de nossos corações esses diferentes propósitos da prece. Alguns dizem que eles tem dificuldade a rezar, que eles não sabem o que dizer ou que eles não gostam de pedir qualquer coisa a Deus, apesar seu mandamento. Então aprendam a rezar na escola da missa. Como vós dizeis a cada vez que vós respondeis ao orate fratres : ” ad laudem, et gloriam nominis tui, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiæ suæ sanctæ.” A missa é para a louvação e a glória do nome de Deus, e também por sua utilidade, e não somente a comunhão, mas todo esse sacrifício é também o vosso como o diz o cânon romano ao mesmo lugar. Então, vossa prece deve seguir as palavras da missa, as intenções da Igreja às diferentes partes da missa. Ele deve ser vez a vez latrêutico, eucarístico, impetratório e propiciatório. Vós deveis adorar Deus, o louvar quando vós cantais o Glória por exemplo, ou bem o Sanctus, quando vós cantais o Credo, vós proclamais vossa fé católica. E vós podeis fazer várias coisas ao mesmo tempo quando ao momento da elevação, quando o padre eleva a hóstia, não é o momento de abaixar a cabeça, se o padre eleva a hóstia, é para que ao vê-la vós adoreis Deus, vós façais um ato de fé na presença real, vós podeis juntar expressões de ação de graça. Vós podeis também estar na ação de graça após a comunhão, quando vós retornais a vosso lugar para esse colóquio intimo com o salvador : lembrai-vos da prece que diz o padre logo após ter comungado ao precioso corpo : “Quid retribuam Domino pro omnibus quae retribuit mihi ?” O que restitui ao senhor por todos os bens que ele me acorda ? Aí esta qual deve ser vossa prece a esse instante preciso, uma prece de ação de graça, uma prece de adoração, um ato de fé na presença de Jesus em vós. É preciso também ter uma prece de demanda durante a missa, nós recitamos o Pai Nosso, pedimos para ter piedade de nós ao Kyrie, as orações da missa como a coleta e a pós comunhão são orações de pedidos, ao memento dos vivos, rogai para os vivos, para vossa família, vossos benfeitores, para a Igreja e de mesmo ao memento dos mortos, vós adquireis o hábito de rezar para vossos defuntos.
E enfim, a missa é propiciatória. Quer dizer que ela nos rende Deus propicio, a cada vez que nós imploramos embora nossas faltas, ao Confiteor, ao Kyrie, ao Agnus Dei, e à comunhão que apaga os pecados veniais, que nos arrependemos sinceramente. Vós vistes então a riqueza e a perfeição da missa, mas isso a condição de estar bem disposto para assistir a missa, a condição de ter uma real vontade de união a Deus, a prece de Jesus Cristo. Às vezes, eu escuto as pessoas que saem em urgência da missa para responder ao telefone, mas que fazes vós aqui ? Vós viestes adorar ao Rei dos reis ou passar hora na igreja o domingo para não cometer um pecado mortal ? O que é que é tão importante aqui embaixo que possa interromper vossa entrevista com Deus, vossa prece com Jesus Cristo ? Que um médico esteja pronto a se render à cabeceira de doentes em caso de urgência, eu compreendo bem, mas em outros casos, se vós tenhais esquecido de desligar vosso telefone na missa e que ele toca, rejeite a chamada e apague vosso telefone, é mais conveniente.
Então, como colocar em prática essas recomendações ? Existem vários meios fáceis. Primeiro, é bom possuir um missal, eu sei que é difícil de encontrar um ao Brasil, mas lembrem-se dos ensinamentos do papa Pio XII em Mediator Dei : “São, pois, dignos de louvor aqueles que, com o fim de tornar mais fácil e frutuosa ao povo cristão a participação no sacrifício eucarístico, se esforçam em colocar oportunamente nas mãos do povo o missal romano do modo que os fiéis, unidos ao sacerdote, orem com ele, com as suas próprias palavras e com os mesmos sentimentos da Igreja.” O missal é um excelente meio de se unir a prece do padre, mas é preciso ficar atento entretanto de não passar toda sua missa mergulhado em seu missal e não olhando o que se passa no altar, a liturgia não é somente um discurso sagrado que é preciso compreender como se segue uma conferência, a liturgia é uma ação sagrada, a união de gestos e de palavras. É preciso chegar a seguir os dois. Por exemplo, eu vos recomendei de vos unir ao memento dos vivos e dos mortos, é bom perceber o momento onde o padre faz essa prece durante o cânon, ele ajunta as mãos e se recolhe alguns instantes em silêncio antes de retomar a leitura. Então, o missal é lá para vos ajudar e com o hábito, vós podereis vos passar do missal para seguir o ordinário da missa porque vós sabereis nas grandes linhas quais são as preces do padre. E depois, cada missa tem preces próprias, a Igreja oferece à nossa meditação diversas leituras, orações diferentes cada domingo. Nesse caso, um segundo meio para participar ativamente a missa é de dar uma olhada no seu missal antes. Se vós não tiverdes que um só missal na vossa família, pegue o costume de o ler na véspera da missa do domingo para conhecer as intenções de prece da Igreja. Ao momento onde eu dava cursos de catecismo na escola a Bordéus e que eu pedia às crianças na segunda feira qual a opinião a respeito do evangelho da véspera, só tinha um que sabia responder, era uma criança que os pais preparavam sistematicamente a missa ao sábado : eles reuniam as crianças para a prece, liam as leituras e faziam um pequeno comentário. Essa prática é muito louvável e merece ser encorajada nas famílias.
Isso dito, o papa Pio XII precisa bem que não é a única maneira de assistir frutuosamente aos santos mistérios, graças a Deus, a santidade não se mede a espessura ou a usura do missal, vós podeis perfeitamente rezar a missa meditando os mistérios de Jesus Cristo, eu não queria fazer de autoritarismo mesquinho, eu também conheci outros fiéis que seguiam com piedade a missa sem a ajuda de um livro, isso depende de cada um. Dom Guéranger em suas instituições litúrgicas não é favorável à difusão de missal para os fiéis, e não podemos reprova-lo de indiferentar- se da liturgia.
Mas uma coisa é certa, a vós pertence o aproveitamento desse tesouro que é a missa, de zela-lo e de defende-lo. A missa salva o mundo e vosso compromisso à missa tradicional não deve ser simplesmente sentimental ou estético, ele deve ser pensado não somente para vossa vida intelectual mas sobretudo para a vida de vossa alma. A missa tradicional pela segurança de sua doutrina, pela antiguidade de suas preces, pelo respeito por Deus que ela manifesta, por seu esplendor, por sua sacralidade, é o meio mais conveniente de louvar a Deus, de o honorar, de nos introduzir às portas do céu e assim de receber com fervor Jesus-hóstia. Ela é inteiramente voltada em direção ao céu, em direção a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.
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Padre Roch Perrel
Instituto do Bom Pastor
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Ipiranga
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Brasil
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